Caminhos do RN: FIERN propõe Pacto pela Educação para elevar qualidade do ensino e fomentar a economia

A trajetória de estagnação da qualidade da educação básica do Rio Grande do Norte tornou-se um entrave para o desenvolvimento econômico potiguar. Com o Ideb do Ensino Médio Público abaixo da média do Nordeste e do Brasil, o estado enfrenta um de seus desafios mais urgentes para o aumento da produtividade, da inovação e para inserção de mão de obra em eixos emergentes e setores que têm ganhado cada vez mais relevância na economia do Estado.
O tema é central na Agenda Caminhos do RN 2027-2030, desenvolvida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), por meio do Observatório da Indústria Mais RN, e entregue aos candidatos ao Governo do estado e ao Senado federal, pelo RN, durante o Fórum Caminhos do RN – Eleições 2026.
Em 2025, o Ideb do Ensino Médio público potiguar foi de 3,9, um dos mais baixos do Nordeste. A experiência de estados como Piauí (4,9), Pernambuco (4,7) e Ceará (4,5), que apresentam os melhores resultados da região, mostra, segundo a Agenda, que mudanças na gestão educacional podem produzir avanços mensuráveis em períodos compatíveis com o horizonte de 2027 a 2030.
Segundo o presidente do Sistema FIERN, Roberto Serquiz, “o desenvolvimento econômico contemporâneo depende, sobretudo, da capacidade de gerar, absorver e aplicar conhecimento de forma produtiva”. Ele acrescenta que o baixo desempenho do estado na educação básica ocorre “em contraste com um ecossistema de ensino superior e pesquisa de relevância regional que, mesmo assim, perde talentos qualificados para outros estados”.
Diante desse cenário, a FIERN propõe a criação de um Pacto pela Educação Potiguar, com adesão formal do Governo do Estado, municípios, setor produtivo e sociedade civil. A iniciativa prevê a definição de metas públicas para a evolução do Ideb em cada etapa de ensino e uma atuação articulada entre os diferentes agentes envolvidos na educação.
Entre as medidas propostas está a atualização das matrizes curriculares do ensino fundamental e médio, incorporando competências relacionadas às demandas do mundo do trabalho contemporâneo, com ênfase nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A Agenda também propõe um programa de educação continuada para docentes, voltado ao aprimoramento da didática e das competências necessárias ao ensino dessas áreas.
Outro eixo é o fortalecimento da gestão escolar. A proposta é chegar a 100% dos diretores da educação básica selecionados por meio de processo seletivo e eleição, ampliando critérios técnicos e a participação da comunidade na escolha dos gestores.
A Agenda prevê ainda parcerias entre sociedade civil e municípios para a melhoria da qualidade educacional, além de parcerias público-privadas voltadas à infraestrutura das escolas. No ensino médio, a proposta inclui a ampliação das matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) integrada à educação profissional e dos itinerários de formação técnica e profissional.
Educação conectada à inovação
A estratégia proposta pela Federação, conforme a agenda, parte da necessidade de aproximar a formação educacional das transformações pelas quais passa a economia potiguar. Por isso, o documento também prevê a criação de Polos Tecnológicos e Centros de Excelência em áreas consideradas estratégicas para o estado, como energias renováveis, software, automação industrial, turismo, fruticultura, aquicultura e indústria da moda.
A proposta é articular pesquisa, formação de profissionais e empresas de tecnologia, além de aproximar os pólos industriais dos centros de ciência e tecnologia existentes no estado.
Nesse sentido, a Agenda propõe apoiar empresários na elaboração de projetos para captação de recursos destinados à inovação e realizar um diagnóstico contínuo dos gargalos e do grau de maturidade tecnológica das indústrias do estado.
Um dos focos está na cadeia de energias renováveis, com a criação de um polo tecnológico voltado a soluções como armazenamento de energia, ciência de dados aplicada a redes elétricas inteligentes, segurança cibernética de infraestruturas críticas e otimização de parques eólicos e solares. A intenção é posicionar o Rio Grande do Norte como referência nacional e internacional em tecnologias relacionadas à transição energética.
Formação e retenção de talentos
A Agenda também relaciona educação e inovação a outro desafio: a retenção de talentos no estado. Formar profissionais qualificados precisa estar acompanhado da criação de oportunidades capazes de mantê-los no estado.
A proposta inclui a atração de data centers, empresas de tecnologia, centros de pesquisa e desenvolvimento ligados às energias renováveis e startups de base tecnológica, ampliando a oferta de empregos qualificados.
Confira a agenda completa:



