Projeto da SESI Escola transforma preparação para o Enem em experiência de pesquisa e protagonismo

Pesquisar um tema, entender seus diferentes aspectos, construir argumentos e depois ensinar o que aprendeu aos colegas. Foi assim que estudantes da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio da SESI Escola São Gonçalo do Amarante transformaram a preparação para a redação do Enem em uma experiência de pesquisa, produção e compartilhamento de conhecimento com o projeto “Destrinchando Temáticas de Redação para o Enem”.
Conduzida pelo professor de redação, João Victor, a proposta parte de uma mudança na forma de trabalhar a redação. Em vez de limitar o estudo à estrutura do texto dissertativo-argumentativo ou à resolução de possíveis temas, os estudantes foram convidados a investigar problemas sociais brasileiros e compreender os diferentes aspectos envolvidos em cada discussão.
“Organizados em grupos, eles pesquisaram, selecionaram fontes, analisaram causas e consequências, reuniram repertórios socioculturais e elaboraram possíveis propostas de intervenção”, explicou.
Depois da pesquisa, começou ainda uma etapa essencial do projeto: compartilhar o conhecimento produzido. Cada grupo organizou o conteúdo estudado em materiais de apoio e apresentou suas descobertas para as turmas da 3ª série do Ensino Médio, que estavam em preparação para o Enem. Assim, os estudantes passaram de quem recebe o conteúdo para quem também é responsável por construí-lo e transmiti-lo.
Para preparar as apresentações, os alunos interpretaram informações, avaliaram a confiabilidade das fontes, selecionaram dados relevantes, organizaram ideias, construíram argumentos e desenvolveram uma forma clara de comunicar o que haviam aprendido. O trabalho também exigiu divisão de tarefas, negociação entre os integrantes dos grupos e responsabilidade coletiva pelo resultado.
Os estudantes utilizaram ferramentas digitais para realizar pesquisas, consultar fontes, organizar informações e produzir os materiais utilizados nas apresentações. O uso dos recursos tecnológicos, segundo a proposta, foi mediado pelo professor para que as ferramentas não funcionassem apenas como instrumentos de busca, mas como recursos para pesquisa, autoria, criatividade e construção colaborativa do conhecimento.
Um dos episódios que melhor demonstra o impacto da experiência aconteceu com estudantes da 1ª Série A do turno matutino. O grupo escolheu pesquisar e apresentar a temática “Os desafios para combater o etarismo na sociedade brasileira”, investigando questões relacionadas ao envelhecimento, à valorização da população idosa e aos preconceitos associados à idade.
No mesmo ano, o Enem apresentou como tema da redação “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. “Embora as propostas tivessem recortes diferentes, havia uma aproximação clara entre os assuntos trabalhados pelos estudantes e o debate proposto na prova. O conhecimento construído durante a pesquisa ofereceu aos alunos um repertório prévio sobre a temática, com informações, argumentos e possibilidades de intervenção que poderiam ser mobilizados na redação”, elaborou João Victor.
A experiência mostrou aos estudantes a importância de acompanhar debates sociais contemporâneos, comenta o professor. Ele explica que o objetivo do projeto não era antecipar temas do exame, mas desenvolver a capacidade de investigar diferentes questões e construir repertório para que os alunos estivessem preparados para lidar com assuntos que poderiam aparecer sob diferentes perspectivas.
A proposta também dialoga com uma concepção de aprendizagem em que o estudante assume maior responsabilidade pelo próprio processo de formação. Ao pesquisar um problema, selecionar informações, produzir um material e apresentá-lo aos colegas, ele precisa compreender o conteúdo a ponto de conseguir explicá-lo para outras pessoas. Nesse movimento, a preparação para a redação deixa de ser apenas um exercício individual e passa a envolver colaboração, comunicação e produção de conhecimento.
Na SESI Escola São Gonçalo do Amarante, a preparação para o Enem ganhou, assim, um caminho que combina pesquisa, tecnologia, protagonismo e comunicação. A proposta mostra que ensinar redação também pode significar ensinar os estudantes a olhar para a realidade, fazer perguntas, buscar respostas e transformar aquilo que aprenderam em conhecimento compartilhado.



