Notícias da Indústria do RN

Produção de leite no RN bate novo recorde em 2025 e ultrapassa 440 milhões de litros 

Publicado em 02/10/2026

O Rio Grande do Norte produziu mais de 440,2 milhões de litros de leite em 2025, um crescimento de 11,60% em relação a 2024, quando foram registrados 394,5 milhões de litros. O resultado representa mais um recorde para a pecuária leiteira potiguar e movimentou mais de R$ 1,11 bilhão em valor de produção. Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa da Pecuária Municipal. 

A atividade está presente nos 167 municípios do estado e gera mais de 45 mil empregos, com indústrias de laticínios presente em todas as regiões. Em valor de produção, de acordo com o IBGE, os destaques foram Caicó (R$ 94,51 milhões), Nova Cruz (R$ 67,50 milhões) e Jardim de Piranhas (R$ 50,92 milhões). 

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do RN (SINDLEITE-RN), Túlio Veras, o desempenho confirma o que a entidade já projetava. “Batemos mais um recorde na produção leiteira. Ficamos extremamente felizes com esse resultado e tudo isso mostra que o setor lácteo no RN está no caminho certo. Por trás desse resultado tem muito trabalho, dedicação e boas parcerias entre os produtores de leite, a indústria de laticínios e o mercado “, afirma. 

Segundo Veras, o consumo de leite e derivados no estado é pujante. “Temos uma cultura muito forte no consumo de lácteos, e ainda temos espaço para crescer.” 

Produtos lácteos de países do Mercosul e de estados das regiões Sul e Centro-Oeste ainda abastecem parte do mercado consumidor local, o que, na avaliação do dirigente, indica que os produtores locais podem seguir investindo para aumentar sua escala de produção. “Se tivermos uma matéria-prima competitiva, nos fortalecemos no mercado consumidor”, comenta.

Túlio Veras, presidente do SINDLEITE-RN

Ele também destaca que o SINDLEITE-RN tem atuado em diferentes frentes para fortalecer a cadeia produtiva, com parcerias e interações com entidades, federações e Governo, para ações de incentivo no melhoramento genético, mineralização dos rebanhos; melhoramento nutricional, sanidade e tecnologias para resfriamento do leite, ordenha mecânica; e aperfeiçoamento da assistência técnica. 

Veras lembra que a atividade se desenvolve no semiárido, o que exige otimização constante do uso das águas. Nesse cenário, a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao estado é vista como um reforço. Segundo ele, é preciso otimizar os perímetros irrigados para a produção de biomassa; como silagem de milho, de sorgo, pré-secado e fenação. “Isso garante segurança nutricional para o rebanho durante o ano todo. O planejamento forrageiro precisa ser implantado urgentemente”, explica. 

O presidente do sindicato defende ainda um diálogo contínuo com o Poder Público, nos poderes Legislativo e Executivo e nas esferas municipal, estadual e federal. Para ele, o leite tem papel relevante na dinâmica socioeconômica do estado, pois, além de gerar emprego, renda e desenvolvimento, proporciona segurança nutricional para a população. 

O crescimento do leite inspecionado e pagamento por qualidade do leite é outro ponto positivo para fortalecer o setor lácteo, aponta Túlio Veras. Dados da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, mostram que o Rio Grande do Norte atingiu a marca recorde de 117 milhões de litros de leite industrializados em 2025, mas com apenas 26%. 

Segundo o presidente do SINDLEITE-RN, o resultado é fruto das exigências do consumidor, que cobra cada vez mais produtos com melhor qualidade e segurança. “Outra coisa que se iniciou no estado foi o pagamento por qualidade do leite, onde o produtor recebe mais pelo litro do leite, pelo seu trabalho, cuidado e investimentos em tecnologias e profissionalização dentro das propriedades.” 

“Essa prática gera ganho de caixa, melhora a saúde dos animais e aumenta a produtividade do rebanho. Também beneficia o consumidor, que recebe um produto com mais qualidade e valor nutricional. Essa já é uma realidade em outras regiões do Brasil e, agora, essa tendência está se consolidando no Nordeste”, conclui Veras. 

Por Guilherme Arnaud

Compartilhe: