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Agenda Caminhos do RN mostra como a infraestrutura logística impulsiona as vocações econômicas do Estado

Publicado em 10/09/2026

Para o Rio Grande do Norte aproveitar suas vocações produtivas em energia, mineração, agronegócio exportador, economia do mar e data centers é necessária uma modernização logística profunda. O tema está entre os destaques da Agenda Caminhos do RN, 2027-2030, desenvolvida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), por meio do Observatório da Indústria Mais RN, e entregue aos candidatos ao Governo do estado e ao Senado federal, pelo RN, durante o Fórum Caminhos do RN – Eleições 2026.

O custo logístico incide sobre a produção e o investimento, na prática, cada quilômetro percorrido em rodovias deterioradas, cada tonelada movimentada por modais ineficientes e cada dia de atraso no processamento alfandegário diminui o valor e retira competitividade dos produtos potiguares.

Com isso em vista, a Agenda apresenta propostas para a infraestrutura logística do estado, que incluem a modernização da malha rodoviária, reintegração à malha ferroviária nacional, recuperação da competitividade portuária e ampliação da conectividade aérea. Tudo isso com financiamento prioritariamente estruturado por meio de parcerias público-privadas, gestão de ativos e recursos liberados pelo Eixo 1 do documento, que trata do resgate da capacidade fiscal e de investimento público.

“Rodovias deterioradas, ausência de conexão ferroviária, portos subutilizados e conectividade digital deficitária no interior é um conjunto de gargalos que se realimentam mutuamente e que, em sua maioria, têm como causa a falta de espaço fiscal para investir”, comenta o presidente da FIERN, Roberto Serquiz.

Infraestrutura Logística como Habilitador Universal

As propostas apresentadas na Agenda Caminhos do RN 2027-2030 incluem medidas nas frentes de rodovias, ferrovias, portos, aeroporto e mobilidade urbana metropolitana, além de apontar metas de referência para indicadores estratégicos de logística.

Na frente rodoviária, as propostas incluem a continuidade e ampliação do Programa de Restauração de Rodovias; a duplicação da BR-304 de Natal a Mossoró; federalização da RN-226; estruturação de programa simplificado de concessões de rodovias estaduais; melhoria da infraestrutura das rodovias RN-117 (Mossoró a Major Sales), RN-221 (Areia Branca a Macau) e do Anel Viário de Mossoró; além da solução definitiva para o problema histórico de obras paralisadas, com destaque para a Reta Tabajara.

Para a frente ferroviária, o documento propõe a reativação do trecho Mossoró (RN)–Souza (PB), conectando o Estado à malha consolidada da Transnordestina; a implementação do trecho Mossoró-Natal; e direcionamento prioritário para cargas de mineração e fruticultura, com redução estimada de 30% no custo médio e de 75% de emissões de CO2 em relação ao modal rodoviário.

As propostas para a frente portuária são direcionadas para três iniciativas: a recuperação da competitividade do Porto de Natal, com investimento em dragagem, recuperação das defensas da ponte, instalação de scanner e guindastes modernos e estruturação de área alfandegária de suporte logístico; Desenvolvimento de instrumentos jurídicos que possibilitem a operação de empresas privadas na área portuária de Natal; ampliação do transporte de cargas por meio de navegação de cabotagem; e Reversão da perda de competitividade frente a Pecém (CE) e Suape (PE), que hoje absorvem 73% das cargas de origem potiguar, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

No Porto-Ilha de Areia Branca, a proposta é a avaliação de investimentos em integração multimodal capazes de diversificar a base de cargas do porto, hoje especializado quase exclusivamente em sal. A Agenda também propõe o início das obras do Porto-Indústria Verde de Caiçara do Norte, projetado para atender prioritariamente a produção de energia eólica offshore e a futura cadeia de hidrogênio verde.

Sobre o Aeroporto Internacional de Natal, o documento defende a estruturação de benefícios e incentivos para companhias aéreas internacionais, associada a busca ativa de novos mercados para importação via Rio Grande do Norte; avaliação técnica da redução do ICMS sobre o querosene de aviação; promoção do Terminal de Cargas Brasil; e modernização e recadastramento dos aeródromos municipais do RN.

Já quanto à Mobilidade Urbana Metropolitana, a Agenda propõe um Plano Diretor de Mobilidade Urbana para a Região Metropolitana de Natal; estímulo a projetos de integração intermodal; e fomento a soluções digitais integradas para deslocamento, monitoramento e conectividade nas cidades potiguares.

Metas de Referência

Além das propostas em cada frente, a Agenda Caminhos do RN 2027-2030 também aponta indicadores e metas para a infraestrutura logística do estado:

Indicador Situação Atual Meta de Referência 
Malha rodoviária estadual em condição ótima ou boa Apenas 4,5% em condição ótima Ampliação progressiva via Etapas 2 e 3 do Plano de Restauração 
Conexão ferroviária do RN à malha nacional Inexistente desde a década de 1990 Reativação do trecho Mossoró–Souza (~350 km) até o final do horizonte da agenda 
Volume movimentado no Porto de Natal 431 mil toneladas (2022); –10,8% em 4 anos Reversão da perda de competitividade frente a Pecém e Suape; +1.849 contêineres/mês 
Ocupação da capacidade do Aeroporto de Natal < 40% (2,4 milhões de passageiros em 2024) Recuperação do patamar pré-pandemia (8.455 voos/ano) e expansão de rotas internacionais 

Confira a agenda completa:

Por Guilherme Arnaud

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