Atividade da Construção potiguar aprofunda queda em junho, aponta FIERN

A Sondagem Indústria da Construção, elaborada pela FIERN em parceria com a CNI/CBIC, mostra que a percepção dos empresários sobre a atividade do setor piorou em junho de 2026, após dois meses de moderação na intensidade da queda. O indicador do nível de atividade recuou de 47,7 para 38,9 pontos, revertendo a trajetória de recuperação parcial observada em abril e maio e configurando. Na comparação com junho de 2025 (50,0 pontos), quando a atividade havia atingido a estabilidade, o recuo é de 11,1 pontos, evidenciando que o setor está em situação bem mais desfavorável do que a observada um ano atrás. O emprego no setor apresentou ligeira melhora frente ao mês anterior (de 45,5 para 46,8 pontos), mas segue sinalizando retração e permanece 7,9 pontos abaixo do valor de junho de 2025. Já a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) avançou de 42% para 48%, superando tanto o patamar de junho de 2025 (46%) quanto sua média histórica (47%).
No segundo trimestre de 2026, os resultados da Sondagem apontam nova deterioração das condições financeiras do setor. A insatisfação dos empresários com o lucro operacional se intensificou, com o indicador recuando de 30,3 para 28,2 pontos – a terceira queda trimestral consecutiva -, e o indicador de Situação financeira também recuou, de 32,4 para 31,9 pontos, ambos seguindo bem abaixo da linha divisória de 50 pontos. O acesso ao crédito, que havia melhorado no trimestre anterior, voltou a piorar, recuando de 43,5 para 40,7 pontos, embora ainda se mantenha acima do patamar observado um ano antes (37,6 pontos). Por sua vez, a pressão de custos arrefeceu: o indicador de preço médio das matérias-primas recuou de 71,9 para 68,1 pontos, mas permanece em patamar elevado e 9,0 pontos acima do registrado no segundo trimestre de 2025.
Demanda interna insuficiente e falta de capital de giro se mantiveram como os principais problemas enfrentados pela Construção potiguar no segundo trimestre de 2026, seguidos, em terceiro lugar e empatados, por taxa de juros elevadas e falta ou alto custo da mão de obra não qualificada.
Em julho de 2026, as expectativas dos empresários do setor para os próximos seis meses arrefeceram de forma generalizada frente ao mês anterior, embora a maior parte dos indicadores permaneça em campo positivo. O indicador de expectativa do nível de atividade recuou de 59,1 para 50,0 pontos, sinalizando transição do otimismo para a estabilidade; o de compras de insumos e matérias-primas caiu de 54,7 para 50,0 pontos, na mesma direção; e o de novos empreendimentos e serviços recuou muito discretamente, de 54,7 para 53,7 pontos, seguindo otimista. Na contramão, o indicador de expectativa quanto ao número de empregados avançou de 50,0 para 57,4 pontos, indicando otimismo crescente quanto à geração de vagas nos próximos seis meses. Já a intenção de investimento recuou de 42,0 para 32,6 pontos, patamar praticamente equivalente à sua média histórica (32,6 pontos).
Comparando-se os indicadores avaliados pela nossa Sondagem Industrial com os resultados divulgados em 23/07 pela CNI para a Indústria da Construção no conjunto do Brasil, observa-se que, embora ambos os setores tenham registrado queda na atividade e no emprego em junho, as trajetórias divergiram no campo financeiro e nas expectativas: enquanto a indústria potiguar reportou satisfação com a margem de lucro (50,5 pontos) e com a situação financeira (52,2 pontos) no trimestre, a construção civil nacional seguiu insatisfeita em ambos os quesitos (41,7 e 45,2 pontos). Para os próximos seis meses, a divergência se acentua: a indústria potiguar mantém otimismo generalizado, enquanto os empresários da construção passaram a projetar queda em todos os indicadores de expectativa pela primeira vez desde o início da pandemia.
Evolução Mensal da Indústria
Os resultados da Sondagem Indústria da Construção do Rio Grande do Norte, realizada entre os dias 1º e 10 de julho de 2026, mostram que o nível de atividade do setor aprofundou a queda em junho, após dois meses seguidos de moderação.
O indicador do nível de atividade recuou 8,8 pontos em junho de 2026, passando de 47,7 para 38,9 pontos, o recuo mais acentuado desde dezembro de 2025. Com esse resultado, o indicador ficou 4,7 pontos abaixo de sua média histórica (43,6 pontos), revertendo os quatro meses anteriores em que havia se mantido acima dela. Trata-se, ainda, do menor valor para um mês de junho desde 2019 (38,6 pontos). Na comparação com junho de 2025 (50,0 pontos), o indicador recuou 11,1 pontos, revelando que a atividade do setor está em patamar substancialmente inferior ao observado um ano atrás. O indicador de nível de atividade efetivo em relação ao usual para o mês também recuou, de 36,2 para 28,2 pontos, indicando que o volume de atividade ficou bem abaixo do que é costumeiro para o período.
O indicador de evolução do número de empregados avançou 1,3 ponto em junho de 2026, passando de 45,5 para 46,8 pontos, mas, ao seguir abaixo da linha divisória de 50 pontos, continua sinalizando retração no nível de emprego em relação ao mês anterior. Na comparação com junho de 2025, o indicador recuou 7,9 pontos (54,7 pontos), reforçando o quadro de enfraquecimento do mercado de trabalho do setor frente ao observado um ano atrás.
Para mais informações sobre a Sondagem Indústria da Construção do RN, favor acessar o link:
https://www2.fiern.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Sondagem%20Industria%20da%20Const_jun2026.pdf



