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Com educação inovadora no ensino superior, FAETI vai disputar etapa nacional do prêmio IEL 2026

Publicado em 10/09/2026
Projeto que rendeu à Faculdade o 1º lugar na etapa regional do Prêmio e vaga na nacional foi o Escolas Solares, que teve como foco a rede pública de ensino do estado: Na imagem, professores/as e aluno da FAETI (à direita) em atividade do projeto

A FAETI, primeira Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do Brasil, venceu a etapa regional do Prêmio IEL 2026 e vai representar o Rio Grande do Norte na etapa nacional da premiação, programada para dezembro. A Faculdade participa da disputa na categoria “Educação Inovadora – Sistema S, nível superior”, em que levou o 1º lugar no estado. 

A categoria premia, segundo o regulamento, instituições de ensino técnico-profissional ou superior pertencentes ao Sistema S que possuem programas com as práticas mais inovadoras, possibilitando a formação de profissionais com perfil também inovador. Critérios como estrutura de programa de estágio; mecanismos internos de apoio; desenvolvimento de parcerias; mecanismos de avaliação; e engajamento de ex-alunos são avaliados.

“Esse prêmio é um reconhecimento do perfil da FAETI, da forma que desenvolveu os seus cursos e da sua forma de trabalhar”, diz o diretor do SENAI-RN, que engloba a Faculdade, Rodrigo Mello. “Nós sempre entendemos que há uma possibilidade, um vazio a ser preenchido, de muito mais prática na formação dos jovens na graduação. Fortalecer ferramentas a partir de estágio, o desenvolvimento de soluções para situações-problema da indústria, como uma vivência na vida prática, já durante a graduação, é um dos caminhos que temos valorizado junto aos nossos alunos”, complementa. 

Inovação com energia solar

O projeto que rendeu à FAETI o primeiro lugar na etapa regional do Prêmio e vaga na nacional foi o Escolas Solares, que instalou mini usinas de energia solar em escolas da rede pública do Rio Grande do Norte – como laboratórios de aulas práticas para disciplinas como física, geografia, ciências e matemática – além de ter desenvolvido materiais didáticos e capacitado professores para impulsionar o ensino com a utilização desses recursos.  

A iniciativa é fruto de convênio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e teve recursos, na primeira fase, provenientes de emenda parlamentar do então senador Jean Paul Prates, idealizador da proposta. A segunda fase – que contou com a participação dos estudantes – foi financiada pelo Estado, por meio da Secretaria de Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer.

“É importante a gente enxergar que os alunos precisam participar de projetos reais junto com pesquisadores e instrutores e, numa sequência natural, participar de atividades no ambiente industrial, seja com o estágio na indústria, seja desenvolvendo soluções na indústria, seja com outras vivências industriais, adquirindo uma maior visão prática do ambiente produtivo. Essa é a principal razão de ser do modelo de formação da FAETI”, observa Rodrigo Mello. 

No projeto Escolas Solares, um dos objetivos, segundo a gerente acadêmica da Faculdade, Patrícia Mello, foi aprimorar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas participantes, utilizando a energia solar fotovoltaica como ferramenta para tornar o aprendizado mais contextualizado, dinâmico e relevante. 

“Para isso, foram implantadas unidades didáticas com sistema fotovoltaico real conectado à rede elétrica nas escolas, uma cartilha educativa com sugestões de atividades e a capacitação de professores visando a aplicação de metodologia de ensino significativo e desenvolvendo aulas práticas direcionadas e aplicadas aos conteúdos teóricos relacionados a diferentes disciplinas”, acrescenta ela.

Os professores de Matemática e de Física da FAETI, Cláudia Patricia Torres Cruz e Heleno Carlos de Lima Neto, e os alunos do sexto período do curso de Engenharia Mecânica, Allan Lucas de Lima e Jonas Medeiros Figueira, participaram, com pesquisadores do ISI-ER, do planejamento e execução das atividades.

“Os estudantes auxiliaram nas pesquisas, na implementação das usinas fotovoltaicas e no treinamento dos professores sobre a utilização didática dos kits e cartilha educacional”, observa Patrícia. Os futuros engenheiros atuaram sob supervisão do coordenador do projeto, pesquisador do ISI-ER e professor da FAETI, Hudson Resende.

Com o primeiro lugar na categoria, a Faculdade vai disputar a premiação nacional com instituições do Sistema S de outros estados. O resultado será anunciado em Curitiba. “Levar o projeto Escolas Solares para a etapa nacional é a possibilidade de apresentar uma experiência desenvolvida no Rio Grande do Norte para uma avaliação de alcance nacional, compartilhar nossa metodologia, aprender com outras instituições e ampliar a visibilidade de uma iniciativa que nasceu aqui”, analisa a gerente acadêmica.

Inovação para eólica offshore

Na etapa regional do prêmio, a FAETI também conquistou a segunda colocação da categoria “Educação Inovadora – Sistema S, nível superior” com o Projeto ROV, que prevê o desenvolvimento de um veículo operado remotamente para análises ligadas a projetos de energia eólica offshore, a energia eólica gerada com turbinas instaladas no mar. 

O projeto de iniciação científica reúne estudantes da FAETI e da SESI Escola. Da Faculdade, participam André Furtunato do Amaral, Eduardo Lucas Alves, Ricardo Pereira Batista, Yan Nicolas da Silva e João Paulo Teixeira, do curso de Engenharia Mecânica, e Plínio Lucas de Oliveira, de Engenharia Elétrica. Já da escola integram o grupo Caio Henry Costa, Elyanderson da Silva Aguiar, João Miguel do Vale Pires, Lucas Gabriel Bezerra, Nicollas Luiz de Freitas e Pedro Henrique Oliveira da Silva.

Também atuam na iniciativa os professores Gerffeson Almeida Moura, de Engenharia Elétrica e Automação, Lélio Goes de Almeida Filho, de Engenharia Mecânica, e José Geraldo Diniz Junior, de Engenharia Elétrica, Robótica e Mecatrônica.

Imagem mostra estudantes e professores que integram equipe do Projeto ROV, também reconhecido no Prêmio IEL

Os trabalhos da equipe incluem a parte construtiva do sistema, o aprimoramento do funcionamento e a programação para análises em ambiente aquático, envolvendo desafios reais relacionados à mecânica dos fluidos, estabilidade e estrutura mecânica, sistemas elétricos e eletrônicos, controle, sensoriamento, integração de subsistemas e gestão de projeto. “Passamos da fase de protótipo, agora vamos consolidar o design e partir para a construção com materiais mais industriais”, explica Patrícia.

O reconhecimento com os prêmios, na análise dela, representa uma validação do trabalho que a Faculdade busca realizar desde o início das operações, em 2024. “E conquistar o primeiro e o segundo lugar na categoria Educação Inovadora, com projetos de naturezas totalmente diferentes, demonstra que não estamos falando de uma iniciativa isolada, mas de uma forma de fazer educação. Esse reconhecimento reforça que nossas práticas de formação, desenvolvimento de projetos e aproximação dos estudantes com problemas reais estão produzindo resultados concretos”, diz a gerente.

“Receber esse reconhecimento tão cedo reforça que estamos construindo nossa identidade acadêmica sobre bases que consideramos essenciais na formação profissional: inovação, formação prática, pesquisa aplicada, aproximação com a indústria e impacto social”, frisa.

No ISI-ER, estagiário colabora em projeto para captura de CO₂ e também é reconhecido

Os prêmios da FAETI não foram os únicos do SENAI-RN no Prêmio IEL 2026. Na categoria “Estagiário inovador”, Jonilton Pinheiro Soares de Lima, estudante do curso Técnico em Eletrotécnica do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), da instituição, e estagiário do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), conquistou o terceiro lugar com a participação em um projeto inédito no Instituto: o retrofit (ou seja, a modernização) e a nacionalização de uma planta de microcanais para captura de CO₂, originalmente adquirida em 2014 de uma empresa alemã. 

“O hardware da planta, o computador que gerencia toda a programação, todo o sistema que funciona, apresentou problema e a gente, depois de muita análise e tentativas de recuperar a máquina, achou por bem fazer a nacionalização e um retrofit –  checar o que estava obsoleto, o que já não servia mais devido ao tempo, e tentar melhorar usando dessa vez tecnologia principalmente brasileira, porque dessa forma a gente consegue não ficar refém de tecnologias estrangeiras e em eventuais manutenções já ter um controle maior, o código aberto, podendo fazer todo tipo de manutenção”, explicou o estudante em um vídeo no início do projeto. “É um desafio gigantesco, porque a gente vai ter que desenvolver praticamente do zero, e vai ser muito recompensador no final”, acrescentou.

Jonilton Lima, estagiário do ISI-ER, conquistou o 3º lugar e recebeu a premiação (de camisa branca) com o diretor do SENAI-RN, Rodrigo Mello, o vice-presidente da FIERN, Edilson Trindade, e o supervisor do estágio, Ciro Lobo

Segundo o instrutor de tecnologias do ISI-ER e supervisor do estágio, Ciro Lobo, as atividades desenvolvidas dentro do estágio contribuíram para recuperar uma planta-piloto de alto valor tecnológico que estava desativada, evitando a necessidade de aquisição de um novo equipamento. “Após a descontinuidade do fabricante e a perda do sistema original de automação, o equipamento permaneceu inoperante por vários anos. O estagiário contribuiu para a reconstrução completa dos sistemas elétricos, automação, instrumentação e documentação técnica, permitindo a retomada da operação da planta”, explica Lobo.

“O projeto substituiu uma tecnologia proprietária estrangeira por uma solução desenvolvida internamente, ampliando a autonomia tecnológica da instituição e criando uma plataforma de pesquisa apta ao desenvolvimento de novos processos e soluções para descarbonização industrial”, complementou.

Lima atuou de forma integrada com pesquisadores, engenheiros, técnicos e supervisor na elaboração de projetos elétricos, montagem de painéis, especificação de materiais, instalação e comissionamento de instrumentos, além da atualização da documentação técnica. Para a escolha dos vencedores da categoria foram avaliados a originalidade e o impacto das atividades de estágio; a contribuição para as competências da empresa/instituição; iniciativa e proatividade; além de colaboração com a equipe. 

“Ter um estudante e estagiário nosso entre os vencedores nos alegra porque uma das dificuldades no desenvolvimento de soluções industriais é ter pessoas qualificadas com a prática industrial para a entrega da inovação. E, no ISI, além de a gente ter uma gama de pesquisadores de alto nível, a gente tem uma preocupação de formação da cultura de novos pesquisadores. Então poder participar da vida de pessoas tão jovens encaminhando ou contribuindo para o encaminhamento dessas pessoas na vida de desenvolvimento tecnológico é muito gratificante”, diz o diretor do SENAI-RN, Rodrigo Mello.

Texto: Renata Moura

Fotos: Divulgação SENAI-RN e Maxmeio

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