Com SENAI, Rede Conexão Povos da Floresta forma agentes comunitários de energia na Amazônia

A formação de agentes comunitários de energia, promovida pela Rede Conexão Povos da Floresta na região Norte do Brasil, foi oficialmente concluída quarta-feira (16), marcando um novo momento para moradores de comunidades tradicionais da Amazônia.
Um total de 26 participantes de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas do estado do Amapá concluiu a formação, que teve como principal novidade a certificação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), por meio do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER).
Esta foi a segunda edição do programa de capacitação e a primeira com a participação do SENAI. A parceria foi anunciada durante o 3º Encontro da Rede Conexão Povos da Floresta, realizado entre os dias 4 e 6 de agosto, em Mazagão (AP), com a participação da diretora do CTGAS-ER, Amora Vieira.
Na ocasião, houve o detalhamento de um Acordo de Cooperação Técnica entre a instituição, a Rede Conexão Povos da Floresta e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
“A importância da conexão do SENAI com esse projeto é sobre qualificação profissional. É sobre a entrega e a adaptação da metodologia SENAI para pessoas que moram em territórios na região Norte do país. Então nós estamos entregando a nossa missão, que é formar pessoas, trazendo um curso oficialmente constituído em parceria com instituições que fazem parte do projeto”, disse, à época, Amora Vieira.
“O projeto”, acrescentou ela, “tem uma entrega genuína e verdadeira, preocupada com as pessoas que estão em seus territórios, em respeitá-las, em entender as suas necessidades”.
“Não é a entrega de um curso que o SENAI montou, simplesmente. O curso foi pensado estrategicamente para que as pessoas dos territórios acessassem esse conteúdo e recebessem e assimilassem uma formação técnica profissional oferecida pelo SENAI”, frisou ainda a diretora.

O programa de capacitação teve como objetivo ampliar a formação de agentes comunitários, fortalecer a infraestrutura energética dos territórios e aproximar comunidades tradicionais das políticas públicas voltadas à universalização do acesso à energia.
Energia
“A conclusão do curso de Agentes Comunitários de Energia representa um passo importante para a formação de profissionais preparados para atuar de forma mais próxima das comunidades, levando conhecimento, orientação e novas possibilidades relacionadas ao uso consciente e eficiente da energia”, disse a diretora do CTGAS-ER, Amora Vieira.
“Para nós, do SENAI, essa formação tem um significado especial porque conecta educação, qualificação profissional e transformação social”, acrescentou.
O conhecimento adquirido ao longo do curso, segundo a diretora, permite que os participantes contribuam para disseminar boas práticas, orientar famílias e comunidades e fortalecer uma cultura de uso responsável da energia.
“Mais do que concluir uma etapa de formação, esses profissionais passam a carregar consigo conhecimentos que podem gerar impacto positivo em seus territórios. É uma oportunidade de ampliar perspectivas, fortalecer a autonomia das pessoas e aproximar a inovação e a educação profissional das necessidades reais da sociedade”, frisou ela.
A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa que tem como objetivo viabilizar, até o final da década, a inclusão digital e o acesso a políticas públicas para 1 milhão de pessoas em 9 mil comunidades, começando pela Amazônia e avançando para outras regiões em isolamento digital.
Levar internet à Amazônia exige, porém, muito mais do que instalar antenas. Em milhares de comunidades, o maior desafio é garantir energia elétrica suficiente para manter a conectividade funcionando de forma contínua.
Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), cerca de 1 milhão de pessoas ainda vivem sem acesso adequado à eletricidade na Amazônia Legal, em regiões onde o fornecimento depende de geradores a diesel ou simplesmente não existe durante as 24 horas do dia.

Solução
Foi para enfrentar esse desafio que a Rede Conexão Povos da Floresta criou o programa Agentes Comunitários de Energia, formando moradores dos próprios territórios para operar e realizar a manutenção preventiva dos sistemas de energia solar utilizados nas comunidades e aldeias para finalidades educacionais, saúde, comunicação e outros
Atualmente, a Rede Conexão Povos da Floresta conta com 370 sistemas fotovoltaicos em operação instalados em comunidades da Amazônia Legal, contribuindo para garantir energia e estabilidade à conectividade em diferentes territórios. Esses sistemas integram a infraestrutura da Rede, que já alcança 2.652 comunidades conectadas, reúne 67.522 usuários cadastrados e beneficia diretamente milhares de pessoas, segundo dados do Painel de Controle atualizados em junho de 2026.
A turma do curso Agentes Comunitários de Energia, promovida em parceria com o SENAI, iniciou suas atividades com um módulo online, realizado entre junho e meados de julho.
Na segunda quinzena de julho, os participantes se encontraram presencialmente no Amapá para a etapa prática da formação, voltada ao desenvolvimento de competências para a gestão, operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos off-grid. O objetivo foi formar agentes comunitários capazes de garantir o uso sustentável desses sistemas, assegurando a segurança operacional, a autonomia das comunidades e a continuidade do acesso à energia nos territórios.
Para Sabrina Costa, coordenadora do Núcleo de Operações da Rede Conexão Povos da Floresta, a expansão da formação representa um passo importante para consolidar a autonomia das comunidades.

A primeira edição do curso, realizada em 2025, formou 32 agentes comunitários de energia, responsáveis por apoiar a manutenção da infraestrutura energética em comunidades da região do Tapajós.
Agora, com a certificação do SENAI, a formação passa a integrar uma trajetória reconhecida nacionalmente, ampliando as oportunidades de qualificação profissional para indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos que vivem em áreas remotas da Amazônia.
Além da qualificação técnica, o programa fortalece o diálogo entre comunidades tradicionais e instituições responsáveis pela política energética brasileira.
Para Letícia Lengruber, especialista em regulação da ANEEL, a iniciativa aproxima realidades que historicamente estiveram distantes. “É superimportante uma formação como essa, porque ela aproxima dois mundos, o mundo das comunidades e o mundo institucional do governo. Eles aprendem a fazer o levantamento de carga, a realizar instalações e a compreender suas necessidades energéticas. E nós, da ANEEL, aprendemos com eles como prestar um melhor serviço para as comunidades.”
Liderada por CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), a Rede Conexão Povos da Floresta reúne mais de 50 organizações parceiras e atua com base em três pilares: infraestrutura, controle comunitário e inclusão digital com empoderamento. A proposta é garantir que a conectividade vá além do acesso à internet, tornando-se uma ferramenta de transformação social, promoção de direitos e conservação da floresta.



