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Comissão da Micro e Pequena Empresa da FIERN discute reforma tributária e impacto das compras internacionais

Publicado em 29/07/2026

A Comissão Temática da Micro e Pequena Empresa da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (COMPEM/FIERN) debateu as implicações do fim da isenção de impostos sobre compras em plataformas internacionais — a chamada “taxa das blusinhas” — na economia nacional e os preparativos para a implementação da reforma tributária.

O presidente da COMPEM/FIERN, Ney Robson Rocha Alves, afirmou que a comissão adotará iniciativas estratégicas em relação aos dois temas, considerados vitais para o setor produtivo e para os micro e pequenos empreendedores.

“O tema da isenção de impostos para plataformas internacionais impacta muito o comércio e o setor produtivo no Brasil. Não se trata apenas de manter o fim ou retomar a taxa sobre itens de menor valor, mas de um debate amplo que abrange diversos segmentos. Vamos estruturar propostas para avançar em resoluções junto ao presidente [da FIERN], Roberto Serquiz”, destacou Ney Robson.

Convidada para o encontro, a gerente de Sustentabilidade do Grupo Riachuelo, Karina Rodrigues D’Ornelas, alertou para as consequências da revogação da alíquota de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, estabelecida por medida provisória do governo federal em maio de 2026.

Com base em dados econômicos, ela apontou que o varejo brasileiro registrou queda de 3,6% nas vendas e a eliminação de 60 mil postos de trabalho no mesmo mês. Em contrapartida, as plataformas estrangeiras movimentam diariamente cerca de 900 mil pedidos com remessas registradas na Receita Federal.

Os números apresentados por Karina D’Ornelas mostraram a relação entre a isenção fiscal para o e-commerce externo e a perda de empregos. Ao mesmo tempo, ela apontou a importância da indústria do país para a geração de vagas formais e a soberania econômica. “Uma indústria forte é a única garantia real de um país próspero e soberano. Contudo, decisões tomadas no calor eleitoral cobram um preço alto na forma de desindustrialização e estagnação”, ressaltou Karina, reforçando o papel social da carteira assinada.

Ela também apresentou índices sobre o efeito multiplicador da atividade industrial. “A cada R$ 1,00 investido na cadeia do vestuário, o retorno para a economia é de R$ 8,13. O Brasil é o único país do Ocidente a ter a cadeia da moda completa — do agricultor à prateleira —, mas esse multiplicador também penaliza o mercado interno quando a demanda migra para fora”, alertou.

Atendimento e adaptação à Reforma Tributária

A proximidade da entrada em vigor da reforma tributária foi outro ponto central da pauta do COMPEM. Ney Robson enfatizou que os empresários precisam acompanhar de perto as mudanças na legislação. “Por mais que a reforma tributária esteja em pauta, muitos ainda estão alheios aos detalhes do tema e não sabem exatamente qual caminho seguir”, observou. O dirigente acrescentou que cada gestor deve compreender profundamente a realidade financeira de sua empresa, sem depender exclusivamente da contabilidade.

O consultor tributário Ricardo André Matos ministrou uma palestra detalhando as principais alterações que entrarão em vigor nos próximos meses, ressaltando a urgência na tomada de decisões estratégicas. “A reforma tributária é a maior reforma econômica deste país desde o Plano Real, em 1994”, afirmou. Segundo ele, contudo, as mudanças trazem oportunidades de reestruturação de preços e margens.

Ele lembrou que o empresariado terá prazos cruciais ainda este ano. “A decisão de setembro sobre a opção de aproveitamento de créditos no Simples Nacional, que deve ser confirmada em novembro, será determinante para a sobrevivência e competitividade das empresas”, alertou.

Participações

A reunião do COMPEM contou com a presença conselheiros e lideranças empresariais, entre os quais os presidentes do SINDILEITE-RN, Túlio Veras; do SINDIPAN-RN, Ivanaldo Maia; do SINDIBONES, Francisco Medeiros (grafia corrigida); do SINDIPAN Mossoró, Cesário Melo; e do SINDICER-RN, Vinicius Aragão. A superintendente do SESI-RN, Daniele Mafra, também participou do encontro.

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