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Curso da Rede Conexão Povos da Floresta, na Amazônia, terá certificação do SENAI

Publicado em 03/08/2026
Iniciada em junho de 2026, a turma reúne 48 participantes de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas do estado do Amapá e traz como principal novidade a certificação do SENAI, por meio do CTGAS-ER | Foto: Divulgação / Rede Conexão Povos da Floresta

A nova edição do Curso Agentes Comunitários de Energia, promovido pela Rede Conexão Povos da Floresta, marca um novo momento para a formação técnica de moradores de comunidades tradicionais da Amazônia. Iniciada em junho de 2026, a turma reúne 48 participantes de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas do estado do Amapá e traz como principal novidade a certificação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), por meio do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), conferindo reconhecimento profissional à formação e fortalecendo sua integração às políticas públicas de energia e inclusão digital.

A parceria será oficialmente anunciada durante o 3º Encontro da Rede Conexão Povos da Floresta, que acontece entre os dias 4 e 6 de agosto, em Mazagão (AP), com o detalhamento de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Rede, o SENAI e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A iniciativa busca ampliar a formação de agentes comunitários, fortalecer a infraestrutura energética dos territórios e aproximar comunidades tradicionais das políticas públicas voltadas à universalização do acesso à energia.

A nova turma iniciou suas atividades com um módulo online, realizado entre junho e meados de julho. Na segunda quinzena de julho, os participantes se encontraram presencialmente no Amapá para a etapa prática da formação, voltada ao desenvolvimento de competências para a gestão, operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos off-grid. O objetivo é formar agentes comunitários capazes de garantir o uso sustentável desses sistemas, assegurando a segurança operacional, a autonomia das comunidades e a continuidade do acesso à energia nos territórios.

Energia para sustentar a conectividade

Levar internet à Amazônia exige muito mais do que instalar antenas. Em milhares de comunidades, o maior desafio é garantir energia elétrica suficiente para manter a conectividade funcionando de forma contínua.

Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), cerca de 1 milhão de pessoas ainda vivem sem acesso adequado à eletricidade na Amazônia Legal, em regiões onde o fornecimento depende de geradores a diesel ou simplesmente não existe durante as 24 horas do dia.

Foi para enfrentar esse desafio que a Rede Conexão Povos da Floresta criou o programa Agentes Comunitários de Energia, formando moradores dos próprios territórios para operar e realizar a manutenção preventiva dos sistemas de energia solar utilizados nas comunidades e aldeias para finalidades educacionais, saúde, comunicação e outros

Atualmente, a Rede Conexão Povos da Floresta conta com 370 sistemas fotovoltaicos em operação instalados em comunidades da Amazônia Legal, contribuindo para garantir energia e estabilidade à conectividade em diferentes territórios. Esses sistemas integram a infraestrutura da Rede, que já alcança 2.652 comunidades conectadas, reúne 67.522 usuários cadastrados e beneficia diretamente milhares de pessoas, segundo dados do Painel de Controle atualizados em junho de 2026.

Para Sabrina Costa, coordenadora do Núcleo de Operações da Rede Conexão Povos da Floresta, a expansão da formação representa um passo importante para consolidar a autonomia das comunidades.

Formação profissional para fortalecer os territórios

Na segunda quinzena de julho, alunos e alunas se encontraram presencialmente no Amapá para a etapa prática da formação, que conta com a participação do instrutor de educação e tecnologias do SENAI-RN, Tiago Castro (de camisa azul na foto) | Foto: Divulgação / Rede Conexão Povos da Floresta

A primeira edição do curso, realizada em 2025, formou 32 agentes comunitários de energia, responsáveis por apoiar a manutenção da infraestrutura energética em comunidades da região do Tapajós.

Agora, com a certificação do SENAI, a formação passa a integrar uma trajetória reconhecida nacionalmente, ampliando as oportunidades de qualificação profissional para indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos que vivem em áreas remotas da Amazônia.

A diretora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), do SENAI-RN, Amora Vieira, explica que a instituição contribuiu com o aperfeiçoamento da metodologia utilizada na formação e também sugeriu novos conteúdos voltados à energia solar. “O foco é oferecer qualificação para que a comunidade entenda a tecnologia e tenha autonomia para fazer intervenções nos sistemas, quando necessárias, de maneira assertiva e com segurança”, reforça a diretora.

O Centro, que, nesta edição, se integra como parceiro, é a principal referência do SENAI no Brasil em formação de pessoas para a indústria de energias renováveis e centro nacional de excelência em formação profissional para o setor de hidrogênio verde.

“Nós trazemos para o Curso Agentes Comunitários de Energia a nossa experiência de décadas na área, que contempla a formação técnica de homens e mulheres, inclusive em comunidades indígenas, para atuação no setor de energia, no Rio Grande do Norte. Agora, no projeto, nos articulamos com a Rede Conexão Povos da Floresta, com a ANEEL e com outras instituições, ampliando o conhecimento para entregar qualificação profissional de qualidade também para pessoas de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas na região Norte do país”, complementa.

Amora Vieira, diretora do SENAI CTGAS-ER: “Foco é oferecer qualificação para que a comunidade entenda a tecnologia e tenha autonomia para fazer intervenções nos sistemas, quando necessárias, de maneira assertiva e com segurança” | Foto: Michelle Fioravanti

Além da qualificação técnica, o programa fortalece o diálogo entre comunidades tradicionais e instituições responsáveis pela política energética brasileira.

Para Letícia Lengruber, especialista em regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a iniciativa aproxima realidades que historicamente estiveram distantes.

“É super importante uma formação como essa, porque ela aproxima dois mundos, o mundo das comunidades e o mundo institucional do governo. Eles aprendem a fazer o levantamento de carga, a realizar instalações e a compreender suas necessidades energéticas. E nós, da ANEEL, aprendemos com eles como prestar um melhor serviço para as comunidades.”

A experiência também tem contribuído para aproximar a Rede das políticas públicas de eletrificação em áreas isoladas, apoiando iniciativas como o Programa Luz para Todos e a atuação das distribuidoras de energia na Amazônia.

Energia como infraestrutura de direitos

Na Rede Conexão Povos da Floresta, a energia solar é entendida como uma infraestrutura essencial para que a conectividade produza impactos concretos na vida das comunidades.

É a estabilidade energética que permite, por exemplo, o funcionamento de programas como o Conexão Saúde, plataforma de telessaúde que, em maio de 2026, conectava 710 comunidades, contabilizando 4.585 pessoas cadastradas e mais de 5.100 utilizações entre teleconsultas, telelaudos e monitoramento remoto.

Da mesma forma, iniciativas de educação, formação digital, comunicação comunitária, empreendedorismo, bioeconomia e proteção territorial dependem da disponibilidade contínua de energia para acessar plataformas digitais, produzir conteúdo, monitorar o território e fortalecer redes de cooperação entre comunidades.

A estratégia também contribui para reduzir a dependência de equipes externas, fortalecendo a autonomia local por meio da formação de moradores capazes de operar e cuidar da infraestrutura instalada em seus próprios territórios.

A assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre Rede Conexão Povos da Floresta, SENAI e ANEEL, prevista para agosto, representa mais um passo nessa direção. A expectativa é ampliar a formação de agentes comunitários de energia, fortalecer a articulação com políticas públicas e consolidar um modelo em que conectividade, energia e qualificação profissional caminhem juntas para promover inclusão digital, acesso a direitos e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Além da qualificação técnica, o programa fortalece o diálogo entre comunidades tradicionais e instituições responsáveis pela política energética brasileira | Foto: Divulgação / Rede Conexão Povos da Floresta

Sobre a Rede Conexão Povos da Floresta

A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa liderada pela CONAQ, COIAB e CNS, que reúne mais de 50 organizações parceiras com o objetivo de promover conectividade significativa em comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas da Amazônia. A proposta vai além da oferta de internet, articulando infraestrutura, controle comunitário e inclusão digital para fortalecer o acesso a direitos, políticas públicas e a proteção dos territórios.

Até o final da década, a Rede pretende contribuir para a inclusão digital e o acesso a políticas públicas de 1 milhão de pessoas em 9 mil comunidades, começando pela Amazônia e expandindo sua atuação para outras regiões em situação de isolamento digital.

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