Diretor da FIERN defende que RN tem condições de ser pioneiro em eólica offshore e hidrogênio verde
O Rio Grande do Norte reúne condições para ser pioneiro no país na geração de energia eólica offshore (no mar) e na produção de hidrogênio verde. A afirmação é do diretor da FIERN e presidente do Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do RN (SindRecicla-RN), Etelvino Patrício, feita durante a abertura do Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX), nesta segunda-feira (1°), no salão de eventos do Hotel Serhs, em Natal. Ele destacou também a atuação do Sistema FIERN na área para que o estado avance, atraia investimentos e amplie as possibilidades de desenvolvimento.

“Essas tecnologias estão relacionadas e, uma vez que temos avançado, podemos ser pioneiros e trazer investimentos que o Brasil precisa para mudar sua matriz energética e, mais especificamente, para o Rio Grande do Norte ter melhores oportunidades de crescimento”, afirmou.
Etelvino Patrício ressaltou que a preocupação da FIERN é que o estado não apenas gere cada vez mais energia com matriz limpa, mas também desenvolva atividades econômicas que utilizem, em seu território, essa geração. “A Federação das Indústrias faz um trabalho de captação para trazer investimentos que são consumidores de energia”, disse.
Como exemplo, ele citou o acordo firmado durante missão empresarial liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) — integrada pelo presidente da FIERN, Roberto Serquiz — na Alemanha, que prevê a instalação de uma fábrica de produção de hidrogênio verde e amônia no Rio Grande do Norte.
“Esse é o papel que a Federação exerce e é assim que avançamos nas energias renováveis”, salientou. Ele acrescentou que o BOWPX reforça a capacidade do estado para o desenvolvimento nesse setor.
Etelvino Patrício mencionou ainda estudos do SENAI que demonstram a capacidade de geração de 50 gigawatts de energia eólica offshore no litoral próximo ao Rio Grande do Norte, e destacou a relevância da implantação, pelo SENAI, da primeira planta-piloto de energia eólica offshore do Brasil, no litoral de Areia Branca.
“Isso confirma a capacidade de atrair investidores. O estado tem seu pioneirismo e lidera a geração onshore. Então, podemos assegurar o pioneirismo e a liderança também no offshore”, apontou.
O diretor da FIERN defendeu que a Federação das Indústrias exerce papel relevante na área. “Os projetos de pesquisa e formação profissional por intermédio do SENAI somam à capacidade institucional para atrair segmentos da indústria que precisam de energia e, desta forma, fazer com que o estado, com capacidade de produção, tenha também capacidade de consumo.”

Na avaliação do diretor, isso deve proporcionar crescimento econômico, com consequente desdobramento na oferta de emprego e renda.
Durante a abertura do evento, o reitor da UFRN, José Daniel Diniz, informou que a universidade está entre as instituições onde pode ser instalado, no país, um dos dois supercomputadores destinados a servir de banco de dados para a inteligência artificial. A decisão cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo o reitor, a definição poderá fortalecer os projetos da instituição nas áreas relacionadas à tecnologia e, consequentemente, à energia limpa.
A governadora Fátima Bezerra também participou da abertura, ao lado da diretora do Departamento de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, Karina Souza; do diretor adjunto do Departamento de Programas de Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Rafael Menezes; do superintendente do Banco do Nordeste no RN, Jeová de Lins Sá; e da presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias), Elbia Gannoum.
BOWPX
O Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX) segue até esta quarta-feira (3). Um dos principais eventos da América Latina voltados à energia eólica offshore e às novas cadeias produtivas associadas à transição energética, o encontro reúne representantes de governos, universidades, centros de pesquisa, investidores, empresas e instituições financeiras para debater o futuro da indústria verde no Brasil.
O congresso é organizado pelo Grupo de Pesquisa Creation, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e está em sua quarta edição, sob a presidência do doutor em Engenharia de Produção e fundador do Creation na UFRN, professor Mário Gonzalez.



