Em evento sobre eólica offshore, ISI-ER destaca avanços de planta-piloto inédita no país

Carlos Moura, pesquisador do Instituto, falou sobre a planta-piloto durante o evento Brazil Offshore Wind & Power-to-X

A inovação, o desenvolvimento de tecnologias e o ganho de conhecimento esperados para o Brasil com a planta-piloto offshore do SENAI do Rio Grande do Norte foram destacados nesta terça-feira (02), em Natal, no Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX). 

O evento discute avanços regulatórios, oportunidades de investimento, desenvolvimento da cadeia de suprimentos e perspectivas de mercado para energia eólica offshore, hidrogênio verde e soluções Power-to-X no país. A programação será encerrada nesta quarta-feira (3).

“A planta-piloto offshore do SENAI não é um projeto comercial. É um laboratório em condições reais para experimentação tecnológica, científica, logística. Obtivemos a licença prévia, a primeira do país, e agora estamos numa fase seguinte, de avançar para ter a licença de instalação”, disse o pesquisador líder de projetos do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) na área de Economia do Mar, Carlos Moura, durante o painel “Primeiros projetos de eólica offshore no Brasil”.

O pesquisador detalhou que a chamada pública para investidores interessados na planta-piloto foi concluída. “Estamos agora analisando os proponentes para partir para uma segunda fase, a de projetos de engenharia, para que na sequência venham os investimentos de instalação e operação”. 

Contribuições

Ele também citou a experiência do SENAI em medições de vento no mar e a Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore – Bravo, tecnologia pioneira no Brasil desenvolvida pelo ISI-ER, em parceria com a Petrobras e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, como contribuições da área de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação para a nova fronteira energética do país.

”Havia, no país, vazios de informação sobre o offshore, informações insuficientes ou não sistematizadas e nós estamos atuando nisso. Medimos ventos há mais de 10 anos. No caso da Bravo, começamos com boias lançadas na região do Porta-ilha de Areia Branca e hoje temos outras lançadas em cinco regiões do país. Isso dá um aumento de capacidade para a indústria offshore nacional espetacular, porque temos essa capacidade de fazer coisas e operar de uma forma mais brasileira de ser (com menor dependência de tecnologias estrangeiras)”, ressaltou Moura. 

O painel teve moderação de Juliano Martins, coordenador de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica).Também participaram representantes da Ocean Winds, da Qair Brasil, da Japan Blue Energy e da BI Energia.

O Brazil Offshore Wind & Power-to-X é realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pelo Grupo de pesquisa Innovation of Products and Processes – Renewable Energies (Creation), da Universidade.

SAIBA MAIS – PLANTA-PILOTO OFFSHORE

A planta-piloto do SENAI-RN foi o primeiro projeto de energia eólica offshore do Brasil a receber licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

À época, o órgão destacou que a iniciativa tem como missão contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico nacional – e que a concessão da licença foi fruto de um extenso processo de análise conduzido por uma equipe técnica multidisciplinar, composta por especialistas com ampla experiência. 

Concebida para o mar de Areia Branca, município do Rio Grande do Norte a 330 km da capital, Natal, a planta prevê o desenvolvimento, a nacionalização e a validação de tecnologias e soluções de construção e logística para a instalação de turbinas eólicas offshore (no mar), adaptadas às condições da Margem Equatorial brasileira. 

O sistema de implantação previsto se baseia em um modelo criado pela empresa espanhola Esteyco, e licenciado no Brasil pela DOIS A Engenharia, que possibilita a montagem total das torres em terra e que elas sejam então levadas até o destino, no mar, com o apoio de rebocadores – ou seja, sem a necessidade de grandes estruturas de navios, atualmente escassas e caras no mundo. As máquinas seriam então posicionadas, sem perfuração.

Do ponto de vista socioambiental, a iniciativa segue avançando em etapas de diagnóstico social, ampliando a escuta das comunidades envolvidas e aprofundando a compreensão de suas percepções diante da atividade offshore. 

Clique aqui (https://www2.rn.senai.br/wp-content/uploads/2025/12/Informativo-Planta-piloto-offshore_10-quest%c3%b5es-para-entender-a-pesquisa-do-SENAI-RN.pdf) para acessar o informativo “Planta-piloto offshore: 10 questões para entender a pesquisa do SENAI-RN”, disponível no site www.rn.senai.br. 

SOBRE O ISI-ER

O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.

Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).

A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.

O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.

A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.

Texto e fotos: Renata Moura