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Indústria cerâmica debate impactos da reforma tributária e apresenta diagnóstico do setor

Publicado em 20/07/2026

As implicações da reforma tributária para as empresas ceramistas do Rio Grande do Norte e os resultados de um diagnóstico do setor foram apresentados nesta segunda-feira (20), durante encontro promovido pelo Sindicato das Indústrias de Cerâmica para Construção do Estado do Rio Grande do Norte (SINDICER-RN). O evento reuniu diretores e associados no auditório do 7º andar da Casa da Indústria, sede da FIERN.

Na abertura do encontro, o presidente do SINDICER-RN, Carlos Vinicius Aragão Costa Lima, destacou que a reforma tributária já está em curso e exigirá adaptações por parte das empresas. “A reforma tributária terá impacto sobre preços, margens, fluxo de caixa, compras, vendas e competitividade”, afirmou.

Segundo ele, o tema deve estar no centro das atenções de empresários e profissionais da contabilidade, especialmente porque a maior parte das empresas do setor é optante pelo Simples Nacional. “O grande desafio é que a esmagadora maioria das empresas está no Simples Nacional”, disse.

Vinicius explicou que, com a nova legislação, as empresas terão três alternativas. A primeira é permanecer integralmente no Simples Nacional. A segunda é manter esse regime para os demais tributos, mas apurar o IBS e a CBS pelo regime regular. A terceira é migrar para o Lucro Presumido ou para o Lucro Real.

Ele ressaltou que essa decisão exige uma análise ampla, que vai além dos aspectos contábeis. “Será necessário avaliar o modelo comercial, a carteira de clientes, a cadeia de fornecedores, os custos e a formação de preços”, observou.

O contador João Montenegro e o especialista em reforma tributária Rogério Vieira apresentaram as principais mudanças previstas na legislação, detalhando as regras já aprovadas e as etapas de implementação do novo sistema tributário.

Diagnóstico do setor

Durante o encontro, também foi apresentado o diagnóstico da indústria cerâmica do Rio Grande do Norte. Segundo Carlos Vinicius, o levantamento reforça a relevância econômica do segmento para o estado.

“A indústria cerâmica tem grande importância para a economia do Rio Grande do Norte. Gera empregos, renda e arrecadação, especialmente nos municípios do interior, além de fornecer produtos essenciais para a construção civil”, afirmou.

Ele acrescentou que as empresas ainda enfrentam desafios relacionados aos custos de produção, energia, combustíveis, logística, mão de obra, licenciamento ambiental, tributação e modernização.

O estudo identificou cerca de 110 indústrias cerâmicas em atividade no estado, responsáveis pela geração de 3.871 empregos diretos. A maior concentração de empresas está nas regiões do Seridó e do Vale do Açu/Apodi. De acordo com o coordenador da pesquisa, Danyel Ferreira de Medeiros, 52% das unidades produtivas utilizam energia solar.

“O diagnóstico também confirma desafios que já conhecemos, como a dificuldade de contratação e retenção de mão de obra”, afirmou Carlos Vinicius. “Ao mesmo tempo, evidencia avanços importantes na adoção de energia solar, no mercado livre de energia, na modernização dos processos produtivos e no uso de combustíveis renováveis e resíduos como fonte energética.”

Para o presidente do SINDICER-RN, o levantamento marca o início de uma nova etapa para o setor. “Nosso compromisso é utilizar esses dados para definir prioridades, estruturar projetos, ampliar ações de capacitação, dialogar com o poder público e fortalecer a defesa dos interesses da indústria cerâmica”, concluiu.

O encontro também contou com uma apresentação sobre a Central de Compras do setor. Segundo o sindicato, as primeiras aquisições realizadas pela iniciativa proporcionaram redução média de 30% nos custos das empresas participantes.

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