Seminário apresenta diagnóstico e plano para fortalecer cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Norte
O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (SINDLEITE-RN) realizou, na manhã desta sexta-feira (12), o Seminário do Setor Lácteo Potiguar, na Casa da Indústria. Durante o evento, foi entregue o Diagnóstico e Plano de Avanço Industrial da Cadeia Produtiva do Leite do RN, documento que reúne um panorama detalhado do setor e propõe ações estratégicas para ampliar sua competitividade e sustentabilidade.

O encontro reuniu produtores rurais, empresários, representantes de instituições públicas e privadas e lideranças do segmento para discutir os desafios e as oportunidades da cadeia leiteira potiguar, uma das atividades econômicas mais presentes nos municípios do estado.
Na abertura do seminário, o presidente da FIERN, Roberto Serquiz, destacou a importância do alinhamento entre as instituições e os agentes da cadeia produtiva para transformar o potencial do setor em vantagem competitiva.
“O Rio Grande do Norte tem no leite uma vocação e cabe a todos vocês transformá-la em uma vantagem competitiva. Hoje estamos diante de um receituário construído de forma coletiva. Existe uma convergência de forças, vontade de melhorar e um sentimento comum de avançar. Sabemos onde estamos e sabemos onde queremos chegar. Agora é o momento de fazer escolhas, estabelecer prioridades e definir os caminhos para o crescimento do setor”, afirmou.
Serquiz ressaltou ainda a importância de aproveitar o ambiente de cooperação construído entre as instituições participantes. “Estamos no ambiente de avançar. Não podemos perder o tempo. Se existe uma vontade coletiva, precisamos caminhar juntos para transformar esse potencial em resultados concretos”, acrescentou.
O presidente do SINDLEITE-RN, Túlio Veras, reforçou a relevância econômica e social da atividade leiteira para o estado e destacou que o diagnóstico aponta caminhos concretos para o fortalecimento da cadeia produtiva.

“A bacia leiteira do Rio Grande do Norte é forte. São mais de 22 mil produtores e cerca de 45 mil empregos diretos e indiretos gerados pela atividade. O diagnóstico mostra nossas potencialidades e precisamos nos concentrar nelas para não perder mercado. Precisamos ser mais eficientes”, afirmou.
Segundo Veras, a modernização das propriedades rurais e das indústrias é fundamental para elevar a produtividade e garantir maior competitividade. “Estamos buscando o avanço e a modernização do nosso setor”, completou.
O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha, representou a governadora Fátima Bezerra no evento e destacou a capilaridade da atividade leiteira no estado. “Talvez seja a principal atividade produtiva presente nos 167 municípios do Rio Grande do Norte e precisamos reconhecer e valorizar sua importância”, afirmou.
O deputado federal Benes Leocádio destacou a relevância social da atividade leiteira para o estado e o potencial de expansão da cadeia produtiva. “O leite é meio de vida para muitas pessoas. Se nós nos organizarmos, não seriam apenas esses 45 mil empregos, porque temos potencial para muito mais”, afirmou.
A condução técnica do diagnóstico foi realizada por Airton Spies, engenheiro agrônomo, administrador de empresas, doutor em Economia dos Recursos Naturais pela University of Queensland, na Austrália, e mestre em Ciências Agrícolas pela Lincoln University, na Nova Zelândia.
Produção cresce e atinge marca histórica
Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, especialmente relacionados às estiagens prolongadas, o setor lácteo potiguar vem demonstrando capacidade de adaptação e crescimento. De acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, o Rio Grande do Norte produziu 394,5 milhões de litros de leite em 2024, registrando crescimento contínuo desde 2020 e acumulando expansão de 35% no período. O valor da produção saltou de R$ 538 milhões para R$ 981 milhões entre 2020 e 2024.

Em 2025, o estado alcançou uma marca inédita: a produção média superior a 1 milhão de litros de leite por dia. “Está ocorrendo uma transformação estrutural importante no setor. Até 2024, observávamos avanços sem aumento significativo de volume. Em 2025, a produção disparou”, destacou Airton Spies.
Para o especialista, o principal desafio está na competitividade. “O leite do futuro é aquele que reduz esse gap de competitividade. Podemos vender leite para qualquer mercado, mas o problema está no custo. O nosso leite ainda é mais caro do que o produzido em outros lugares do mundo”, observou.
Atualmente, cinco estados concentram cerca de 70% da produção nacional de leite. O RN ocupa a 17ª posição no ranking brasileiro e possui 14 municípios responsáveis por aproximadamente metade da produção estadual.
Diagnóstico aponta desafios e oportunidades
O diagnóstico identifica oportunidades para ampliar a produção estadual e reduzir a dependência de leite proveniente de outros estados, aproveitando a capacidade ociosa das indústrias instaladas no estado.
Entre as principais oportunidades destacadas estão a profissionalização dos produtores, programas estruturados de assistência técnica, melhoramento genético do rebanho, investimentos em irrigação, produção de forragem, mecanização das propriedades, ampliação da infraestrutura rural e incentivo à adoção de tecnologias de produção.
O estudo também aponta a necessidade de ampliar a formalização da atividade, fortalecer a sucessão familiar no campo, aumentar a oferta de matéria-prima para as indústrias e estimular sistemas produtivos mais tecnificados.
Plano de ação propõe nove medidas estratégicas
Além do diagnóstico, o seminário apresentou um plano de ação com nove medidas prioritárias para fortalecer a cadeia produtiva do leite no estado. As propostas incluem a implantação de programas de assistência técnica aos produtores, planejamento forrageiro com produção de silagem para garantir alimentação do rebanho durante todo o ano, melhoramento genético dos animais, modernização das propriedades rurais por meio da aquisição de tanques de resfriamento e sistemas de ordenha mecânica, além da ampliação do controle sanitário.
O plano também prevê ações voltadas à melhoria da infraestrutura rural, incluindo estradas, energia elétrica e acesso à internet, fortalecimento das relações entre produtores e indústrias, aumento da produção para melhor aproveitamento da capacidade instalada e iniciativas coordenadas pela FIERN e pelo SINDLEITE-RN para aprimorar a governança e a articulação institucional do setor.
Também participaram do seminário o presidente da FAERN, José Vieira; o superintendente do Sebrae-RN, José Ferreira de Melo Neto; a coordenadora de Relações Institucionais e com Mercado da FIERN, Ana Adalgisa Dias; o coordenador de Tributação e Assessoria Técnica, Neil Armstrong de Almeida; o diretor 1º secretário da FIERN, Heyder Dantas; o presidente do SINDIPAN-RN, Ivanaldo Maia; e a presidente do SINDISORVETE-RN, Zauleide Queiroz



