SENAI-RN amplia parcerias e discute novas oportunidades no setor de energia durante ROG.e 2026

O SENAI-RN participou da ROG.e 2026, um dos principais eventos com foco em negócios, inovação e relacionamento do setor de energia no Brasil, antes conhecido como Rio Oil & Gas. A programação foi realizada entre os dias 21 e 24, no Rio de Janeiro, e incluiu palestras, exposições e debates sobre segurança energética, transição e descarbonização, tecnologias de baixo carbono, inovação, mercados, investimentos, regulação, biocombustíveis e experiências culturais.
“O evento nesta edição superou o do ano passado e nós, que compomos esse setor no elo de pesquisa e desenvolvimento, na educação e na prestação de serviços técnicos, tivemos a oportunidade de muitos encontros positivos com diretores, gerentes e técnicos de parceiros antigos, atuais e potenciais em todas as áreas da nossa atuação”, diz o diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello.
Projetos em curso e possibilidades futuras integraram a agenda da instituição ao longo da programação. “Tivemos oportunidade de discutir com a OPITO – referência global em padrões de segurança, treinamento e qualificação para a indústria de energia – um projeto de certificação de pessoas na área de segurança industrial, que tem os setores de óleo, gás e energia entre os principais demandantes”, detalhou Mello, acrescentando que iniciativas relacionadas ao ambiente de geração de energia offshore (com usinas instaladas no mar), ao incremento da formação de pessoas na área de óleo e gás e à otimização de laboratório na área de prestação de serviços também foram pauta de reuniões.
Do encontro com a OPITO, participaram o CEO da companhia, Stephen Marcos Jones, o vice-presidente sênior de parcerias estratégicas, Patrick Modolo, e o diretor de operações, Ed Walsingham.
A diretora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis do SENAI-RN (CTGAS-ER), Amora Vieira, observa que a participação na ROG.e reforça o compromisso institucional do SENAI com a excelência, a inovação e o desenvolvimento sustentável, valorizando iniciativas que estimulem o conhecimento, a colaboração e o protagonismo profissional.
“A presença do SENAI-RN neste evento representa uma oportunidade de fortalecer parcerias, compartilhar conhecimentos e aproximar a educação, a indústria e a sociedade. Essa integração é fundamental para promover o desenvolvimento de competências e contribuir para a construção de novas oportunidades”, disse a diretora.

Estudo
O estudo “Hidrogênio como solução para mitigação de curtailment em sistemas renováveis”, do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), foi apresentado na sessão técnica “Hidrogênio e Integração Técnica”, do evento.
O trabalho demonstra, em escala laboratorial, o potencial do hidrogênio como alternativa para aumentar o aproveitamento da energia renovável disponível em razão do curtailment – cortes de geração de energia que têm afetado usinas eólicas e solares – e criar novas oportunidades de valorização energética.
Dados de 2025 de empreendimentos conectados à Subestação Monte Verde, no Rio Grande do Norte, disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), foram analisados e escalonados para reproduzir, em laboratório, diferentes níveis de operação de um eletrolisador PEM – equipamento que faz a conversão de energia elétrica em hidrogênio.
O hidrogênio produzido foi armazenado e posteriormente utilizado em uma célula a combustível PEM para reconversão em eletricidade. Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que o potencial de produção de hidrogênio acompanha os níveis de curtailment, com maior contribuição da geração eólica no segundo semestre.
“O problema do curtailment de fontes solar e eólica torna-se uma oportunidade para produção e armazenamento de hidrogênio, valorando a energia que seria desperdiçada”, diz Alan Rodrigues de Sousa, integrante do Laboratório de Energia Solar do ISI-ER e coautor do estudo.
O uso de hidrogênio para solução do curtailment, acrescenta ele, já aparece na literatura, inclusive no Brasil, mas o trabalho tem como diferencial trazer dados do ONS e escaloná-los para a escala laboratorial, de forma a reproduzir experimentalmente um eletrolisador PEM, o armazenamento do hidrogênio e a reconversão experimental em uma célula a combustível PEM.
“É um resultado importante porque conecta um problema real do sistema elétrico a uma solução experimentalmente avaliada. Deixa de ser uma simulação e passa a ser um experimento, o que é o mais próximo da realidade”, complementa.
O artigo tem autoria principal de Erika Fernandes Calasans Gomes de Barro e coautoria também de Caio Graco Lopes Alves, Marcílio de Melo Bayer, Samira de Azevedo Santos Emiliavaca e Amanda Gomes Barboza.
A sessão também contou com a participação de Sergio Castiñeiras Filho, da PUC-Rio, e de Eduardo Lemos, da Pinheiro Neto Advogados, com moderação de Renata Menezes Rocha.
Texto: Renata Moura
Fotos: Divulgação / SENAI-RN



