Agenda Caminhos do RN aponta medidas para diversificar e agregar valor às cadeias produtivas estratégicas

A indústria responde por 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte, mas a concentração elevada em poucos segmentos, em especial serviços industriais de utilidade pública, extração de petróleo e gás, derivados de petróleo e construção civil, expõe vulnerabilidades setoriais significativas. Diante disso, agregar valor e diversificar as cadeias produtivas é uma tarefa fundamental para consolidar a economia do Rio Grande do Norte e uma estratégia que deve ser adotada pelo próximo gestor estadual.
O tema é abordado no eixo 7 da Agenda Caminhos do RN 2027-2030, desenvolvida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), por meio do Observatório da Indústria Mais RN, e entregue aos candidatos ao Governo do estado e ao Senado federal, pelo RN, durante o Fórum Caminhos do RN – Eleições 2026.
O documento organiza as propostas de diversificação produtiva por setor, com foco nas cadeias de maior potencial de adensamento: agricultura; pesca e aquicultura; mineração; turismo; economia digital; indústria láctea; e indústria têxtil e confecções.
Agronegócio e Agricultura familiar
O estado conta com agronegócio exportador de alta produtividade, com fruticultura irrigada de melão, manga e banana nos polos do Vale do Açu e de Mossoró. Já a agricultura familiar de subsistência representa grande parte dos estabelecimentos rurais e emprega muitas das famílias do campo, mas responde por menos de 30% do valor da produção agrícola estadual.
Apesar do contraste profundo, investimentos podem atender ambas as realidades. A Agenda propõe a criação de terminais logísticos integrados, entrepostos refrigerados e centros de distribuição nas regiões produtivas; um programa de regularização fundiária para a agricultura familiar; medidas para plena utilização do aporte da transposição do Rio São Francisco; e modernização da assistência técnica e extensão rural (ATER), ampliando o acesso a tecnologias de precisão, rastreabilidade digital e sistemas de irrigação inteligente.
Pesca e Aquicultura
O Rio Grande do Norte possui localização geográfica privilegiada e extensa costa atlântica, mas o setor de pesca e aquicultura opera muito abaixo de seu potencial, inclusive superado por estados com litoral menor. Entre as causas desse subaproveitamento estão falhas no ambiente institucional e na infraestrutura de suporte.
A Agenda propõe a criação de marco jurídico estadual específico para concessão de áreas marinhas destinadas à aquicultura; criação de sistema estadual de licenciamento de aquicultura, integrado entre os órgãos ambientais federal e estadual, com prazos definidos e procedimentos simplificados para empreendimentos de pequeno e médio porte; e investimento em infraestrutura de frio e processamento para a pesca artesanal, hoje praticamente inexistente, fortalecendo municípios como Galinhos, Macau, Areia Branca e Tibau do Sul.
Mineração
O portfólio mineral do estado é diverso e relevante. Conta com petróleo e gás, minério de ferro, scheelita, calcário, rochas ornamentais e caulim. Porém, o setor opera abaixo do seu potencial, travado pela burocracia no licenciamento, insegurança jurídica e infraestrutura logística inadequada.
O documento propõe a criação de um sistema de licenciamento minerário digital, ágil, transparente e com prazos definidos; estímulos específicos à pequena mineração sustentável; e da mineração de grande escala, particularmente do minério de ferro, condicionada à solução do gargalo ferroviário e portuário tratada no Eixo 3.
Turismo
Praias com falésias e dunas, caatinga de biodiversidade única, serras com microclimas agradáveis e relevância histórico-cultural compõem um portfólio turístico de relevância internacional do estado. Porém, RN registra desempenho inferior a estados vizinhos, com gasto médio por turista de R$ 272, contra R$ 321 no Ceará, R$ 308 em Pernambuco e R$ 366 em Alagoas.
Para alavancar o turismo potiguar, a Agenda propõe diversificar a oferta turística por meio da criação de circuitos integrados de sol e mar, ecoturismo, turismo histórico-cultural, religioso e de aventura; fortalecimento institucional da Secretaria Estadual de Turismo e da governança municipal do turismo; e ampliação da conectividade aérea internacional.
Economia digital
A revolução da inteligência artificial produz demanda extraordinária por infraestrutura computacional global, e o Rio Grande do Norte, por reunir energia abundante, barata, limpa e estável, somada à proximidade geográfica com a Europa e a África, emerge como localização estrategicamente privilegiada para data centers de escala global. O tema é desenvolvido em profundidade no Eixo 4 e retomado como vetor de diversificação produtiva.
A instalação de um único empreendimento pode representar investimentos entre US$ 1 e 5 bilhões e estimular uma ampla cadeia de serviços associados, como telecomunicações avançadas, segurança cibernética, engenharia elétrica especializada e desenvolvimento de software.
Indústria Láctea
A bacia leiteira do Rio Grande do Norte conta com mais de 22 mil produtores e cerca de 45 mil empregos diretos e indiretos, mas grande parte da produção ainda escoa informalmente, com baixo valor agregado e capacidade industrial ociosa ou subutilizada.
Diante desse cenário, o documento aponta a estruturação de programa estadual alinhado à profissionalização dos produtores; fortalecimento da assistência técnica sanitária aos pequenos produtores; e ampliação do acesso a compras institucionais e linhas de crédito para agroindústrias de laticínios.
Têxtil e confecções
Com um polo têxtil e de confecções historicamente relevante, o setor enfrenta concorrência predatória de importados, informalidade e defasagem tecnológica, o que limita a competitividade frente a outros polos nacionais.
A Agenda propõe a criação de linha estadual de crédito e assistência técnica para modernização de maquinário e digitalização de pequenas e médias confecções; apoio à formalização de confecções informais, com regularização facilitada e capacitação; fortalecimento de marcas coletivas e feiras/rodadas de negócio; e estruturação de política energética competitiva.
Indústria e comércio exterior
A Agenda também lista medidas para impulsionar e diversificar as exportações da indústria potiguar, hoje concentrada em derivados de petróleo e biocombustíveis. As propostas envolvem a reavaliação estrutural do Programa de Atração de Investimentos Industriais (Proedi), elaboração de plano de desenvolvimento e agenda estadual estratégica de comércio exterior, aumento da eficiência logística em articulação direta com o eixo 3 e Facilitação do acesso ao sistema de crédito oficial às exportações.
Confira a íntegra da Agenda Caminhos do RN 2027-2030:
https://www2.fiern.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Agenda-caminhos-do-RN-2026.pdf
Por Guilherme Arnaud



